“Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso.
Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa.
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir.
Preso em marcha ré.
Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto.
Quando você perde algo que não pode substituir.
Quando você ama alguém, mas é desperdiçado.
Pode ser pior?”
Ao som de ‘Coldplay – Fix You’...
Senti uma vontade desgraçada de escrever, mas não sabia por onde começar... E continuo não sabendo. Só estou tentando jogar as palavras pra fora da mente, antes que elas me consumam em mais uma sessão de choro.
Ontem à noite tive as primeiras pontadas de que o final de semana não seria nada divertido, internamente. Os pensamentos ruins voltaram fortes como touros esmagando minhas expectativas positivas, e eu me vi mais uma vez, como tantas outras, perdida sentada em frente ao computador. Fotos, perfis, janelas... Tudo muito repetitivo e cansativo pra quem vem de uma caminhada de anos nesse mundo virtual.
A conexão resolveu parar (parece que a pedido do meu cérebro), e eu desabei na cama com o peso de um corpo morto.
Dormi quase que instantaneamente...
Acordei assustada, com a boca seca... A sensação de um sonho ruim, mas sem detalhes, sem lembranças. Apenas um vazio.
Ainda tinha sono, olhei o celular... 03h13min da madrugada. Fechei os olhos e adormeci novamente.
Dez para o meio-dia, não tenho vontade de sair da cama. Não tenho sono, porém um anseio infinito de que ele viesse e me levasse de novo para um mundo onde eu não teria lembranças.
Tentei ler aquele livro que antes parecia tão engraçado, e hoje perdeu o sentido dos risos.
Voltei pro mundo virtual tentando achar o alívio que não tenho na realidade.
Nada.
Tentativas frustradas de levantar o meu animo... E o gosto amargo da impotência de não ter o controle sobre mim.
Perdi as contas de quantas lágrimas foram escorrendo ao longo da tarde, e senti desesperadamente a falta de um abraço. Olhei para as paredes do meu quarto procurando algum consolo.
Lá estava ela... Uma estátua do que antes foi o meu abrigo. Mirava-a e recebia de volta o seu sorriso acolhedor e maternal, contudo imóvel. A sensação de que ela não iria se mover me demolia... Desviei o olhar.
Janelas piscavam irritadas em meu monitor esperando pelas minhas respostas, que não chegariam tão cedo. Simplesmente porque não tinha palavras.
A noite foi chegando e eu aqui, inerte nesse estado que não consigo decifrar. Ainda em frente ao monitor, dessa vez sem tentar me animar... Somente esperando que as horas passem e que mais um dia sem nenhuma serventia termine.
Quem sabe amanhã, quem sabe qualquer outro dia eu esteja bem.