segunda-feira, setembro 20, 2010

Fantasmas...


Sonhei com minha mãe.
Sempre que sonho com ela acordo com o peito apertado, dolorido... Dessa vez foi estranho.

“Parecia uma casa de férias. Portas e janelas de madeira, estilo colonial.
Um vento forte e gelado começava a bater. Minha mãe corria para fechar as portas, enquanto eu fechava as janelas.
Minhas avós estavam na sala.
E eu via fantasmas do lado de fora. Diziam coisas que eu não entendia, e me olhavam de uma forma estranha.
Minha avó paterna tremia de medo, e eu a cobria.
O vento aumentava e eu continuava a ajudá-la a fechar a casa.”

Acordei...

Fiquei alguns minutos até dar um sentido para aquilo.

“Ela está sempre me protegendo, em qualquer lugar que esteja. Sempre me ajudando a afastar os meus fantasmas e medos. Ela sempre vem me socorrer. Sempre perto de mim.”

Sinto sua falta, e dói.

Comendo, rezando, amando...


Mais uma vez, eu não conseguia parar de chorar.
Foi então que ele começou a recuar, e foi então que eu vi o outro lado do meu apaixonado herói romântico – o ‘R.’ solitário como um náufrago, frio e que precisava de mais espaço para viver.
O súbito recuo emocional de ‘R.’ provavelmente teria sido uma catástrofe para mim até mesmo nas melhores circunstâncias, já que sou uma das formas de vida mais afetuosas do planeta, mas aquelas eram as piores circunstâncias possíveis para mim. Eu estava insegura e dependente, e precisava de mais cuidados do que trigêmeos prematuros. Seu afastamento só me fez tornar mais carente, e minha carência só fez acelerar o afastamento, até que, em pouco tempo, ele recuava debaixo de uma chuva de frases chorosas minhas: “Você está distante. O que está acontecendo?”

(Dica de relacionamento: Os homens ADORAM isso.)

O fato é que eu havia me viciado em ‘R.’ (em minha defesa, posso dizer que ele havia possibilitado isso, já que era uma espécie de homem fatal) e, agora que sua atenção estava desaparecendo, sofria as consequências facilmente previsíveis.
O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria – um explosivo coquetel emocional, talvez, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência (sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você a adquirir seu vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom – apesar de você saber que ele tem algum escondido em algum lugar, caramba, porque ele antes lhe dava de graça).
O estágio seguinte é você esquelética e tremendo em um canto, sabendo apenas que venderia sua alma ou roubaria seus vizinhos só para ter aquela coisa mais uma vez que fosse. Enquanto isso, o objeto da sua adoração agora sente repulsa por você. Ele olha para você como se você fosse alguém que ele nunca viu antes, muito menos alguém que um dia amou com grande paixão. A ironia é que você não pode culpá-lo. Quero dizer, olhe bem para você. Você está um caco, irreconhecível até mesmo aos seus próprios olhos.

Então é isso. Você agora chegou ao ponto final da obsessão amorosa – a completa e implacável desvalorização de si mesma.

(A Srta. [ou Sra.] Liz Gilbert que me desculpe, mas todas as palavras cairam como... Como certezas na minha mente.)