terça-feira, janeiro 12, 2010

Duplicidade...

Olá...
Chamo-me Monique, tenho vinte e três anos. Não tenho uma carreira profissional promissora, não estudo e não tenho uma família estruturada. Sou aparentemente saudável e internamente doente. Costumava acreditar muito nas pessoas e no que elas diziam... Até o dia em que falaram demais.

Dizem que eu tenho bom gosto, dizem que sou uma boa amiga, dizem que sou diferente, dizem que sou forte, dizem que sou inteligente, dizem que sou bem humorada... Dizem que sou corajosa, dizem amadureci muito nos últimos anos, dizem que sou adorável... Muitos dizem que queriam ser como eu.

Muitos disseram que me amavam.
Muitos disseram que estariam por perto...

E olhando em volta, quase não vejo as pessoas que me disseram essas palavras.

De certo que eu errei com algumas dessas pessoas... É certo que muitas delas também erraram comigo... E com algumas até aconteceu a tal “segunda chance”, que foi desperdiçada por falta de sabedoria de ambas as partes.

Sinto falta de muitas pessoas...
Mas a que mais sinto falta é de mim mesma.

Aos catorze anos era uma futura psicóloga de um hospital e cuidava de crianças. Eu tinha a minha própria casa com um quintal enorme e várias árvores de todos os tipos de frutas, eu tinha um jardim, um marido, um labrador,e tinha filhos... Eu tinha mil problemas e era feliz... Eu não tinha medo da morte.

Aos vinte e três eu não sou ninguém, não cuido de ninguém. Não tenho a minha própria casa, nem jardim, nem marido... Tenho uma cocker spaniel (que amo demais)... rss... E não posso ter filhos. Eu tenho mil e um problemas e sou infeliz... Continuo não tendo medo da morte, mesmo com ela ao meu lado.

Não se enganem... O meu problema não é medo. O meu temor é de não ser, de não ter feito nada do que eu sempre quis. O meu temor é de olhar prá trás e ver que eu me perdi pelo caminho...
O meu temor é de perceber que todas essas escolhas foram minhas.

Meus dias correm e eu não tenho muito que fazer.
Olho pro lado e vejo a pessoa que eu era fazendo tudo o que eu achava que podia.
E enquanto ela corre contra o tempo entre uma tarefa e outra, eu apenas olho para o teto tentando ignorar a sua presença.
Às vezes a presença dela é tão forte que toma o meu lugar. Então ela se levanta da cama, sai, se diverte e quando está só novamente, eu volto pro meu espaço.

Assim como todos, admiro-a. Ela nunca se abate diante dos problemas, ela não demonstra sofrer, ela tem ‘liberdade de espírito’...
Ela só se esquece que faz parte de mim... E eu só faço questão de esquecer que sou parte dela.

"E são tantas marcas, que já fazem parte do que eu sou agora... Mas ainda sei me virar."

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