quinta-feira, maio 05, 2011

Gélida...

“- Iron Woman?! Por que esse nick, você é tão fria assim?”
- Não, meu irmão que me deu esse apelido.”

Apesar de ser verdade, acho que ando mentindo.

Perdi meu coração, por aí, em alguma esquina qualquer.
Não o encontrei... Ninguém o encontrou.
Dias, meses, anos... Quando foi mesmo?!

Não sei mais escrever, e isso não me inquieta como antes. Não sei mais falar, mas também não me importo. Não sei mais sentir... Sinto falta (ando repetindo muito isso).
De tudo o que não tenho, ou nunca tive, do que mais eu tenho saudade mesmo?!
De mim, quiçá.

Achei minha camisa rabiscada no último dia do ensino médio...
Vesti a camisa... Tinha quinze anos de novo.
Aqueles rostos tão conhecidos reapareceram diante dos meus olhos fechados. Eles me gritavam pelo apelido (Nike, Nike, Nike ... sempre três vezes seguidas e rápidas... rss...). Ríamos até cansar, zoações com o grupo ‘rival’, pular no ‘quebra-mola’ no fundo do ônibus, abraços coletivos...

Vez ou outra, paixões, que pareciam que nunca teriam fim.
Tão intensas, tão vulneráveis, tão desmedidas, tão... Tão minhas.

Abri meus olhos.
Era apenas eu, uma ‘menina’ de vinte e quatro anos com uma camisa velha rabiscada.

Aquela outra ‘garota’ me traz tanta saudade. Se ela soubesse como eu amava o seu jeito, e como eu queria me desculpar por reprimi-la, por brigar toda vez quando agia impulsivamente, por escondê-la com medo de que a ferissem sempre... Pior ainda, por ter conseguido.
No final, só descobri o quanto ela é mais corajosa que eu, o quanto ela vivia mais todos os dias, daquela forma insana de querer abraçar o mundo, ser e acontecer... Sem medo.

Queria trazê-la de volta.
Não sei como trazê-la de volta.

 Tenho medo.

3 comentários:

  1. Entendo-te completamente!
    Estou com contigo!

    Mesmo tão longe, você me deu um nó no coração.
    Grande beijo,

    Raphael

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  2. Ontem um amigo do Ensino Médio, Josué, me achou no Facebook e propôs uma reunião com toda a turma, após 9 anos. Meu 3º ano do Ensino Médio rendeu apenas 10 amigos, turma pequena, de remanescentes.

    Sempre "fugíamos" para a casa do Josué quando seus pais viajavam para Minas, faziamos 'a festa'. Noites viradas, comida, bebida, friiio (como faz frio naquele lugar), confissões, planos, muitos planos!

    Apesar de tanta afinidade e saudade de todos, não sei como me comportar diante de tanta nostalgia!

    Não tenho uma blusa rabisca, nem as cartas das paixões eternas de escola..

    Pois é, preciso muito desse encontro... talvez eu "me encontre" novamente estando mais uma vez em companhia deles.

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  3. "Nike, Nike, Nike"

    Senti lendo essa postagem, o que não sentia há muito tempo...

    Lindo!

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